
Bruno Drummond de Freitas
O que você acha que define o seu futuro?
Em 28 de abril de 2018, eu tinha 23 anos e nenhuma dúvida de que o mundo estava do meu lado.
Eu treinava, corria, nadava, levantava peso. Trabalhava, tinha família estruturada, amigos por perto e uma vida muito boa. Era aquele cara para quem o corpo é detalhe, você pede e ele responde.
Naquele dia eu não sabia que estava vivendo o último dia da vida que eu conhecia. Um acidente de carro me deixou com uma fratura-explosão na quinta vértebra cervical e um traumatismo craniano. Saí dali tetraplégico, sem mover os braços, sem mover as pernas, sem prazo e sem prognóstico.
Entrei no estudo de polilaminina da UFRJ, da Dra. Tatiana Coelho-Sampaio, como o Paciente 01, o primeiro ser humano a recebê-la na fase aguda da lesão. Ela não curava o nervo, preparava o terreno para a cura ser possível. A ciência preparou o meu terreno biológico, e o da minha cabeça quem preparou fui eu.
E o golpe maior, ao contrário do que parece, não foi o físico. A parte física era brutal, mas objetiva. O que decidia se eu ia sequer aparecer para a fisioterapia era o emocional, e foi a inteligência emocional que sustentou a minha recuperação. Pouco antes do acidente eu tinha lido Daniel Goleman, então eu sabia o que estava acontecendo comigo e quais ferramentas eu tinha. Levei duas semanas para colocar o emocional no lugar, e ele precisava vir primeiro, porque corpo nenhum se recupera quando a cabeça já desistiu.
Com a cabeça firme, começou o trabalho longo: fisioterapia todo santo dia, durante um ano e meio. E é aí que a minha história deixa de ser sobre um acidente, porque a gente não é definido pelo que acontece, e sim pelo que decide fazer no dia seguinte. As minhas decisões vinham sempre dos mesmos lugares: persistência, coragem, compromisso, disciplina, resiliência e gratidão. Nada disso é talento de nascença, é escolha que a gente refaz todo dia.
A recuperação levou dois anos e veio em pedaços minúsculos. Um dedo que se mexeu, um braço que subiu, o primeiro passo com apoio. Comemorei cada marco como quem comemora título, do mesmo jeito que se comemora uma meta batida ou um projeto que ninguém achava que ia sair.
Hoje eu ando. Treino musculação, nado duas vezes por semana e já corri 6 km e nadei 600 m nos Lençóis Maranhenses. Trabalho no Itaú Unibanco e comprei meu apartamento. Oito anos atrás, nada disso estava previsto para mim.
Já contei essa história para mais de três mil pessoas em palestras por todo o Brasil. Levei a causa da polilaminina a deputados e ao governador, divido minha rotina com 115 mil pessoas no Instagram (@bfdrummond) e escrevo meu primeiro livro.
Eu subo no palco com uma pergunta e devolvo ela no fim. O que define o futuro de vocês? Talento e sorte pesam, mas não decidem. O que decide é menor, mais silencioso, e acontece todo dia.

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